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Anticoncepcional aumenta o risco de AVC? O que toda mulher deveria saber

Anticoncepcional aumenta o risco de AVC? O que toda mulher deveria saber

Milhões de mulheres utilizam anticoncepcionais hormonais todos os dias. São medicamentos seguros para a maioria delas, mas existe uma situação que merece atenção especial: quando o uso de anticoncepcionais contendo estrogênio se encontra com outros fatores que aumentam o risco de AVC.

Um dos mais importantes é a enxaqueca com aura.

A aura é um conjunto de sintomas neurológicos que pode surgir antes ou durante uma crise de enxaqueca. O mais comum é a alteração visual: pontos luminosos, linhas em zigue-zague ou uma área da visão que desaparece e se modifica ao longo de alguns minutos. Algumas pessoas também apresentam formigamento ou dificuldade para falar.

Mulheres com enxaqueca com aura apresentam maior risco de AVC isquêmico quando comparadas àquelas sem essa condição. Isso não significa que uma mulher jovem com aura provavelmente terá um AVC. O risco absoluto continua sendo baixo, mas alguns fatores podem aumentá-lo ainda mais.

É aí que entram os anticoncepcionais.

Métodos contraceptivos combinados, que contêm estrogênio associado a um progestagênio, podem aumentar o risco de eventos trombóticos. Quando existem outros fatores de risco, como enxaqueca com aura, tabagismo, hipertensão, obesidade ou histórico de trombose, a escolha do contraceptivo precisa ser individualizada.

Por isso, uma informação aparentemente simples pode mudar uma consulta: “Eu tenho enxaqueca com aura.”

As principais recomendações médicas consideram a enxaqueca com aura uma contraindicação ao uso de contraceptivos hormonais combinados. Isso não significa, porém, que essas mulheres não possam utilizar anticoncepcionais. Existem métodos sem estrogênio e opções não hormonais que podem ser avaliados de acordo com o perfil de cada paciente.

Outro cuidado importante é não confundir qualquer alteração visual com aura. Visão embaçada, tontura ou “pontinhos” por poucos segundos não necessariamente representam esse fenômeno. O diagnóstico depende das características e da evolução dos sintomas e deve ser feito adequadamente.

E existe uma regra ainda mais importante: sintomas neurológicos novos nunca devem ser simplesmente atribuídos à enxaqueca. Fraqueza súbita de um lado do corpo, dificuldade para falar, perda abrupta da visão, assimetria facial ou uma dor de cabeça explosiva e diferente das habituais exigem avaliação médica imediata.

O objetivo não é criar medo em relação aos anticoncepcionais. Pelo contrário. Contracepção segura começa pela escolha do método adequado para cada mulher.

Se você tem enxaqueca, especialmente acompanhada de sintomas neurológicos, informe isso ao profissional que prescreve seu anticoncepcional. Uma conversa de poucos minutos pode ser suficiente para identificar riscos evitáveis e escolher uma alternativa mais segura.

Dra. Nayara de Paula Guerreiro
Médica Neurologista | Fellowship em Cefaleias pela USP
CRM-SP 233494 | RQE 135460
Instagram: @NAYARA_GUERREIRO

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